Cereja não!
Deixe-me ser direto: não é cereja. Nunca foi. A confusão acontece, mas a distinção é tudo. Cereja é fruta, doce, comum. Cejera é atitude, é movimento, é identidade. Eu até gosto de cerejas, mas Cejera é bem melhor.
CE•JE•RA
Os pontos médios são pausas intencionais. Respirações estratégicas. Espaços pro seu cérebro escolher entre à pronúncia fácil ou a grafia correta. Onde escolhe entre seguir o rebanho ou criar seu próprio caminho. Leia Cejera mais algumas vezes e logo você vai descobrir como é difícil falar cereja de novo. Parece errado mas o seu cérebro sabe exatamente o que está fazendo.
O "J" no lugar do "R" não foi acidente. Foi afirmação. Enquanto o mundo falava "cereja", eu falei "cejera". Enquanto seguiam regras, eu as questionava. Enquanto obedeciam, eu criava minhas próprias. Depois quebrava elas também. Isso é protagonismo puro.
Tem gente que se acha protagonista, mas vive perdida no próprio roteiro.
Como se cria um protagonista?
Regras? Eu estudo para dobrá-las. Ritmo? Eu decido quando acelera ou quebra. Protagonismo não nasce do nada, ele é despertado. Não adianta ter protagonismo na veia e nada na mente.
Ser protagonista não é ficar forçando ser diferentão. É se conhecer e saber impor quem você é de verdade sem medo algum. Excentricidade não é personagem, é consequência. E autenticidade? É quando você para de tentar impressionar e começa a viver tão verdadeiramente que deixa muita gente pra trás.
Criar é antes de tudo destruir.
Para criar um protagonista deve-se, antes de tudo, destruir o seu ego. Se for preciso, queimar e jogar as cinzas dele fora. O ego é desnecessário para quem sabe que é o principal.
Receita de Bolo
Ingredientes:
- 2 xícaras de farinha
- 1 xícara de açúcar
- 3 ovos
- 1/2 xícara de manteiga derretida
- 1 xícara de leite
- 1 colher de sopa de fermento
- 1 pitada de sal
- 1 cereja. (IMPORTANTE)
Modo de preparo:
Misture tudo e asse por um tempo até cozinhar. Depois de pronto, coloque a cereja em cima. Neste momento muita atenção, pois o modo que você coloca a cereja pode definir muitas coisas.
A cereja não é um ingrediente. É uma presença. O aroma dela não apenas complementa o bolo, ele redefine o espaço ao redor. Há relatos (não confirmados, mas emocionalmente verdadeiros) de pessoas que sentiram o perfume da cereja e reconsideraram decisões de vida.
A composição nutricional da cereja também é absurda. Rica em vitaminas, minerais, poder espiritual e , segundo alguns estudos místicos, pequenas partículas de esperança. Não é exagero dizer que a cereja não alimenta apenas o corpo. Ela alimenta narrativas.
A posição exata da cereja altera pequenas vibrações no campo eletromagnético do bolo. Especialistas (ok, eu) chamam isso de Ponto Rubro de Coesão, um microfenômeno estético-espiritual que só acontece quando a cereja encosta levemente na superfície ainda morna. Dizem que é nesse instante que o açúcar, a textura e (não me pergunte como) as intenções do cozinheiro se alinham.
A cereja no topo é quase uma escolha moral. Não é estética, é ética. É dizer ao mundo: "Eu me importei. Eu finalizei. Eu honrei o bolo."
Alguns acreditam que a cereja emite uma frequência própria, algo entre 132 Hz e intervenção divina. Não é nem totalmente física, nem totalmente metafórica. É tipo um sussurro do universo. Os antigos tratavam a cereja como um símbolo de abundância, mas estudos modernos (eu de novo) sugerem que ela pode influenciar decisões emocionais de quem olha para o bolo por mais de cinco segundos.
Se você coloca a cereja no centro perfeito, cria-se uma harmonia geométrica tão forte que o cérebro libera um combo de serotonina e uma coisa que eu só posso descrever como o Nirvana. Agora, se você erra o centro por milímetros, a energia muda. Alguns dizem que o bolo perde a benção estética, outros afirmam que o universo fica levemente desapontado.
Existe um elemento quase ritualístico no gesto. A cereja é sempre o último toque, o "amém" final da receita. O selo sagrado. Ela carrega vitaminas, antioxidantes e, em algumas vertentes do ocultismo, o papel de proteger o bolo de vibrações ruins e expectativas baixas.
Não é atoa que a cereja do bolo é a cereja do bolo.
E assim, quando tudo termina, o bolo descansa e a cereja continua olhando lá de cima, vitoriosa. Afinal, o bolo só foi criado para que a cereja pudesse ser colocada sobre ele.
Por que Cejera é legal
Porque ser normal é chato e ser autêntico é nosso superpoder. Porque seguir fórmulas é previsível. Porque quando você para de tentar se encaixar e começa a se expressar, coisas interessantes acontecem.
É legal:
- Porque eu quero;
- Porque você quer;
- Porque é e quem diz o contrário vai ter 7 anos de azar;
- Porque a alma de quem aceita isso ganha acesso vitalício ao paraíso.
Cejera causa a sensação de ver algo e pensar "caramba, que ideia f*da". É aquilo que faz você querer fazer algo igualmente incrível e logo depois saber que consegue.
O Despertar
O fenômeno "Cejera" não acontece só comigo. É o que acontece quando você para de seguir roteiros alheios e começa a escrever o seu.
Observar que vivemos em um mundo de cópias e decidir ser original. Não só por rebeldia, mas por entendimento: sua voz única é seu maior ativo.
O despertar é simples: perceber que ser diferente não é defeito, é característica. Que suas particularidades não são falhas para corrigir, mas ferramentas a usar.
Principalmente entender que certas crenças antigas não são heranças, mas sim, correntes, e se você não tiver coragem de quebrá-las, elas quebram você. Crescer dói, mas continuar pequeno dói bem mais.
CE•JE•RA
Três sílabas. Uma pergunta implícita: e se você parasse de tentar ser o que esperam e começasse a ser quem é?
Quando você abraça sua identidade, algo mágico acontece: as pessoas não apenas notam, elas se interessam. E quando se interessam, elas se conectam. Quando se conectam, oportunidades surgem. Se a conexão for genuína, a magia acontece.