A divisão de pesquisa apresentou o Recodificador Organo-Tecnológico, ROT. O sistema foi desenvolvido para investigar a recodificação de matrizes biológicas por meio de processamento híbrido, aprendizado adaptativo e comunicação direta entre instrução tecnológica e matéria orgânica.
O projeto parte da hipótese de que certas características biológicas podem ser tratadas não apenas como estados observáveis, mas também como conjuntos de informação passíveis de leitura, comparação e intervenção. O papel do recodificador é estabelecer uma ponte entre esses dois domínios: interpretar uma matriz viva, gerar um modelo de alteração e verificar a resposta do próprio organismo.
O desenvolvimento foi dividido em duas etapas. A primeira utiliza um vetor celular de baixa complexidade destinado a demonstrar que uma instrução produzida pelo sistema pode modificar células selecionadas sem substituir integralmente a identidade biológica da matriz. Essa fase será conduzida inicialmente com material vegetal.
A segunda etapa, já prevista na arquitetura original do ROT, possui objetivo consideravelmente mais complexo. Em vez de modificar apenas características celulares, o vetor deverá atuar sobre populações neuronais específicas e introduzir proteínas capazes de alterar a maneira como essas células respondem a estímulos luminosos.
Entre as proteínas avaliadas está a Channelrhodopsin-2, ou ChR2, uma proteína fotossensível originalmente encontrada em algas verdes. Quando incorporada à membrana de uma célula excitável, a ChR2 pode converter luz azul em alteração do potencial elétrico da membrana, oferecendo ao projeto uma possível interface entre luz e atividade neuronal.
A arquitetura proposta pelo ROT não considera a luz como portadora direta de informação complexa. A luz funcionaria como sinal físico de acesso: determinados circuitos poderiam ser favorecidos ou ativados enquanto o organismo recebe uma experiência, uma memória ou um conjunto de informações por meios convencionais.
O programa prevê três estágios ópticos. A exposição à luz solar funciona como referência ambiental de amplo espectro; a luz azul representa a primeira etapa de controle direcionado associada ao uso de ChR2; e comprimentos de onda mais próximos do vermelho são reservados para uma geração posterior da interface, utilizando proteínas fotossensíveis diferentes e mais adequadas a essa faixa.
O objetivo de longo prazo é investigar se a ativação seletiva de circuitos relacionados à memória, percepção e raciocínio pode reduzir a dificuldade de associação entre informação nova e estruturas cognitivas já existentes. A equipe denomina provisoriamente esse processo de recodificação cognitiva.
O primeiro ciclo não utilizará organismos complexos. A equipe trabalhará com amostras orgânicas acompanhadas por instrumentos independentes, preservando referências anteriores e posteriores à operação.
Botânica Avançada, Linguística de Sistemas, neurociência e filosofia da técnica participam da formulação do problema. A pergunta inicial permanece simples: uma alteração no código será reconhecível naquilo que ele pretende alterar?
A primeira interface será celular. A segunda deverá ser perceptiva.
Os protocolos de execução não acompanham o anúncio. A agenda do primeiro experimento será publicada em comunicado próprio.